terça-feira, 12 de abril de 2011

Curumim

Não se assustai,
pequeno guri.

Não me esqueci,
que, sozinho,
em algum lugar,
estás em espera.

E tu também,
nunca te esqueças
de minha jura tão sincera.

Tirar-lhe-ei dos negros vales
para tecer-lhe um belo canto.
Esquecerás dos velhos males
e dormirás sob o meu manto.

Dar-lhe-ei o meu amor,
que me domina tão latente,
aguardando que um dia,
sob a luz da calmaria
eu te encontre novamente.

domingo, 3 de abril de 2011

Delicado Desatino



Lua, que me roubaste a noite
e fizeste da festa, nós duas.

Que em repente chegaste
e tomaste conta da bela
que agora és tua.

Nua, que se insinua.

Crua cruel clarividente que nunca recua.

O torto canto que encanta
já tornou-se o meu mantra.

E sorrio por saber que um dia
outra vez serei tua.

Um dia, Lua.
Em que o Sol novamente há de nascer.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O canto


Morena tão doce
que, quando avistei
seus olhos alertas,
tão puros, intensos
(tom de descoberta),
encantei-me e não pude,

deixar de pedir,
com meu jeito rude,
um breve encanto.

O primeiro canto.

Sem qualquer alarde,
a menina, ladina,
abriu-me um sorriso,
e com toque preciso
uma graça me deu.

Permitiu que seus lábios,
exatos, em cores,
curassem minhas dores
ao tocarem os meus.

segunda-feira, 14 de março de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

(Des)projeção



Quem é você
que não mais vem
em seu cavalo branco,
acalmar meu pranto,
e me tecer de novo
o mais belo canto
já ouvido nesses jardins?

Quem são esses soldados
(agora bem armados)
que não mais se alinham
ou sequer replicam por mim?

Nossos cetros enegreceram.
Suas flores-de-lis padeceram

na água turva
sob os meus pés.

Foi depois daquela chuva
que lhe tirou o viço,
e, feito um mal feitiço,
tornou-te quem tu és.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Úlcera




Porque os seus braços eram nus.
Porque os seus braços eram meus.

Porque eu gostava de ver
as marcas de expressão
que se formavam
em torno de seus lábios
quando eles
apertavam um cigarro.

E de quando soprava
a fumaça com força
e me sorria
um sorriso indelicado.

Gostava de suas mãos.
Jazia-me em seus laços.
Perdia-me em seu cheiro.
Dormia em seu abraço.

E pensava ter encontrado
a mais pura das verdades.

Por isso esse aperto em tudo,
que é a dor da minha saudade.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Certeza


O passado nos assombra.

Mas ouça, meu bem:
esses temidos cacos de vidro,
mesmo se juntados,
nunca serão cálice outra vez.

Recolho-os e os passo.
(Assim ganho mais espaço).

Eu sei,

podem até fazer desses cacos,
campos ricos e ensolarados,
rios límpidos e afortunados,
amores pueris e bem aventurados.

Para mim,
são só cacos.

Incapazes de voltar à mesa
ou de substituir a beleza
das flores que agora vêm;

da fé que me esteia
do néctar que me nutre
e da luz que me mantém.


Ombro amigo




Em meio a pedras,
numerosos buracos,
com pés calejados,
sangrando cansaço

e um velho temor,

avisto uma luz

que, como um casaco,
esquenta-me os lados;
dá-me forte abraço
e um pouco de amor.


Por sorte ou destino,
adeus desatinos,
angústias e afins.

Dizem que Deus,
ao ver-me assim,
pôs ao meu lado
um anjo sagrado
orando por mim.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Retorne ao meio de onde veio
e esqueça o dia em que me viste.
Leve embora os doces contos
e as fantásticas histórias sobre
um amor que não existe.

Leve, inclusive,
os dias de glória (tão breves)
que, por ti, foram-me dados;
que eu me olvidarei e destruirei
todo esse ódio atravessado.

Uma história de amor se apaga assim.
Afinal, amor, antes um fim triste
que uma tristeza sem fim.

sábado, 19 de junho de 2010

Artifícios



A velha caça perdura,
universal e meticulosa.
Busca-se, a todo custo,
vida leve, cor-de-rosa.

Saias bem rodadas
para curtos passeios em praças.
Sorrisos bem feitos, sinceros;
fáceis e dados de graça.

Saltos e alguma pintura
fortalecem a frágil faceta.

Há até certo brilho.

Mas os cacos de vidro
continuam na gaveta.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lágrima



Lá no alto da montanha,
nossa fonte já não acho.
Nessa mata, secas folhas.
Secas pedras no riacho.

E no meio de um andar
tão descrente e cabisbaixo,
tão logo avisto teu rastro,
a tristeza me contempla
de uma forma um tanto vil:

faz brotar da minha fonte,
não tão seca como antes,
o mais triste e belo brilho,
que um dia já existiu.