quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Soberba



Abaixo do meu chão,
não piso.

Que isso custe
os meus risos,
o meu brilho,
minha cor.

Não matei-me
por mim mesma,
agora uísque
e muitas resmas,
mas não morro por amor.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Preguiça


Minha cama,
meu templo,
meu eterno sossego.

Onde, em ócio, repouso,
fugitivo do novo
e escravo do medo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Gula



Minha fome de vida
transformei em comida.

E o seu raro amor,
que tanta falta fazia,

eu agora devoro
várias vezes ao dia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aniversários



Muito tempo se passou.
Mas ainda falta tanto...

Quando será
que Deus me trará
o tão esperado canto?

Quando o dia chegar,
eu, de certa maneira,
pedirei sem receios
que me tome inteira.

Nesse dia, talvez,
já sem dor nem feridas
eu em luz acharei
o porquê dessa vida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Catedral


Ao orar, encontrei-te,
santo que a mim
protege e abriga.

Sinto como se Deus,
em seu total poder,
tivesse lhe enviado
à minha vida.

Estás agora em meu altar,
onde o manterei eterno,
com todo zelo e cuidado.

Altar que, eu sei, não tão cedo,
mas já despido de medo,
será por fim revelado.

Pequena anotação II



Hoje não sou o samba.
Larguei o ritmo.
Não tenho cor.

Sou aquilo que se esconde.
O que pouca gente vê.
O penar que vem da ausência.
A dor de toda a existência.

Hoje, amor, sou a falta de você.

Sobre prisões e liberdades


Queres-me, e,
ao me querer,
pego-te em paz,
a me sorrir.

Mas já não sei,
passou das três.
E, ademais,
há tanta vida por aí.

Qual tal meu mal,
bem de outros tais,
em que um instante,
já satisfaz.

Tu não.

Queres demais.
A mim inteira.
A prisioneira
do teu velho
e morto cais.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Esperas




Onde estás tu, estranho,
que apareceste, assim,
de súbito, inesperado?

Que arrastaste, em ganho,
meu mundo, ao seu:
libertino e delicado.

Sonho casto, nossa dança.
O seu samba, finos seus.

Deram, a mim, esperança,
libertando sem fiança,
tediosos dias meus.

domingo, 6 de novembro de 2011

Recaída


Doces lágrimas de saudade
mostram algo ainda latente.
Toca-me, e, em um segundo,
vem-me o passado novamente.

O que estava escondido,
ao final, se libertou.

A casca de ira e indiferença,
diante da sua presença,
desfez-se em prol do amor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Engesso



O sorriso daquela foto
nunca mais se repetiu.

Parece que o acaso sabia
que, cedo ou tarde, viria
um assombro repentino.
Insensato e sem aviso.

Ou então foi só a foto,
que, buscando a perfeição,
levou pra si o teu sorriso.

Sono


Eu queria que este momento

fosse uma pintura

em tela, a óleo.


E eu moraria nela para sempre.