
domingo, 5 de junho de 2011
Jardins II

Jardins

Despropósito

Fico sozinho à noite pra ver se consigo me encontrar. Mas nunca me livro do mundo. Ele sempre dá um jeito de me alcançar. Não adianta fechar as janelas e trancar as portas. Ele entra pelas frestas; escorre pelo telhado e chega a mim de uma forma ou de outra. Mas mesmo assim o ignoro e finjo que não o vejo.
Eu sei que ele vai desistir
mais cedo ou mais tarde.
Fins

Agora tinha acabado. Repensou todos aqueles fins tumultuados. Nas brigas sem causas, nos gritos, na raiva sem fim. Agora era de vez. Não houve sequer uma batida de porta. Apenas um ‘adeus’ rápido, pronunciado com entonação de ‘até logo’. Mas os dois sabiam que não se veriam mais. Ao observar o carro dele se afastando, os olhos dela ficaram mareados. Emanou certo arrependimento. Um medo: e se a saudade for infindável? No entanto, isso ocorreu por poucos segundos, pois logo pegou a chave de casa no bolso direito da calça, dando-se conta de que o jantar – e o mundo - a aguardavam. E isso pode parecer estranho, mas, uma vez tendo entrado em casa e batido o portão, nunca mais pensou nele.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Autoconhecimento
terça-feira, 17 de maio de 2011
Destempo

terça-feira, 12 de abril de 2011
Curumim

domingo, 3 de abril de 2011
Delicado Desatino

quinta-feira, 24 de março de 2011
O canto
que, quando avistei
seus olhos alertas,
tão puros, intensos
(tom de descoberta),
encantei-me e não pude,
deixar de pedir,
com meu jeito rude,
um breve encanto.
O primeiro canto.
Sem qualquer alarde,
a menina, ladina,
abriu-me um sorriso,
e com toque preciso
uma graça me deu.
Permitiu que seus lábios,
exatos, em cores,
curassem minhas dores
ao tocarem os meus.
segunda-feira, 14 de março de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
(Des)projeção

Quem é você
que não mais vem
em seu cavalo branco,
acalmar meu pranto,
e me tecer de novo
o mais belo canto
já ouvido nesses jardins?
Quem são esses soldados
(agora bem armados)
que não mais se alinham
ou sequer replicam por mim?
Nossos cetros enegreceram.
Suas flores-de-lis padeceram
na água turva
sob os meus pés.
Foi depois daquela chuva
que lhe tirou o viço,
e, feito um mal feitiço,
tornou-te quem tu és.
